domingo, 2 de maio de 2010

Ser feliz.


Hoje quando abri os olhos nas primeiras horas da manhã e vi o sol entrando pela janela do meu quarto,me deu uma vontade enorme de ser feliz.
É que ser triste somente as vezes cansa, além de encher o saco dos outros. Ninguém gosta de ficar perto de alguém que só reclama.
Mas ser feito somente de sorrisos também não é bom.Que valor tem ele se você sorri a todo momento? Nenhum.Se torna algo tão comum, e tudo que é extremamente comum perde seu valor.
Gosto desse meio a meio.
Gosto do riso provocado por alguém após o choro, gosto de chorar de tanto rir.De ter motivos para enxugar as lágrimas e procurar felicidade, e de trocar a alegria por um pequeno choro, afinal temos que perder para dar mais valor.Só se conhece o paraiso depois de passar pelo inferno.
Suspeito de pessoas que sorriem todo o tempo.Talvez estejam desesperadas demais para mostrar que as coisas não vão bem, talvez queiram fingir para os outros e ,o pior, queiram enganar a si mesmas.
 Acredito é no brilho do olhar que,de vez em quando, aparece por livre e espontânea vontade.Sem ser chamado, ou provocado.Simplesmente aparece porque nossa alma, lá dentro, quer ser feliz e quer mostrar que está feliz.
É bom deixar-se levar as vezes somente pelas sensações.
Quando, mesmo com tudo desabando e indo de mal a pior, seu corpo pede para dançar,dance.Se ele pede para cantar, cante.E principalmente, se ele pedir, ria e sorria.
Não pense que não tem motivos para isso, todos os motivos vão sempre estar dentro de você.
Basta deixá-los sair.
Iza Costa

sábado, 1 de maio de 2010

A Flor

Estava bebado demais para saber onde se encontrava naquele momento.
Tinha saido de perto dos amigos havia um bom tempo,depois das doses de vodka e de algumas garrafas de cerveja.Bebera demais para alguém que sequer gostava de alcool.
Olhou para trás e vio algumas luzes, talvez o bar em que estivera a alguns minutos atrás.A cidade estava vazia,graças ao feriado, todos provavelmente estavam viajando.Era um cruzamento, e ele resolveu virar para a direita: de longe, com o pouco de noção que sobrara, ele via uma pracinha pequena com alguns bancos, árvores e no centro um pequeno coreto cercado de estatuetas de anjos possuindo instrumentos músicais nas mãos.
No chão a quantidade de folhas era incontável, era outono e as folhas amarelas e alaranjadas caiam excessivamente.Sentou-se em um banco abaixo da maior árvore que ali havia após limpá-lo com as mãos,tentando se sentir protegido talvez.Estava frio , humido e escuro; a maioria dos postes de luz estavam quebrados.Sentia suas mãos congelarem e o ar gélido no seu rosto, mas não ligava pois ele também se sentia frio por dentro.
Levou a mão ao bolso e tirou um maço de cigarros pretos juntamente com um isqueiro prata onde se via um cavalo desenhado.Meio sem jeito pelas mãos geladas, ele acendeu.
Olhava ao longe sem saber para o que exatamente;no céu se via poucas estrelas,as nuvens provavelmente tampavam a maioria, talvez iria chover.Tentava não pensar em nada, mas quanto mais tentava não pensar, mas lembrava.Sua embriaguez estava passando e ele desejava ter trago consigo uma garrafa de cerveja.
Jogou a cabeça para trás e fechou os olhos; odiava aquelas memórias que não saiam de sua cabeça quando estava são.Talvez por isso nos ultimos 5 meses ele bebia mais do que respirava, era a unica maneira de se livrar daquelas lembranças infelizes.Ou talvez felizes demais, por isso ainda o visitavam com tanta frequencia no presente.
- Vamos amor, hoje vou te levar para um lugar especial.
- Para onde?
- Shii, não estraga a surpresa.
- Ah me conta vai.
- Você vai ver, não seja teimoso.
Era uma praça parecida com aquela a surpresa dela naquele dia, até os anjos em volta se pareciam com aqueles da praça visitada a muito tempo atrás, ou eram as árvores? Não,era primavera quando haviam visitado a praça e as flores não estavam no chão, e sim nos galhos, e ele tentava pegar uma para ela.
- Quero aquela ali.
- Mas você gosta de me dar trabalho heim?
Quem dera se o unico trabalho que ela me desse fosse esse; pegar uma flor no alto de uma árvore.Sorriu com esse pensamento besta e levou o cigarro a boca, outra tragada,e mais uma.Começara a fumar quando ela se fora, juntamente com o alcool e ,as vezes, outras drogas.
Não esqueceria o primeiro dia em que ele fumara a primeira vez, primeiro o alcool e depois o cigarro.
Era 15 de outubro, um dia depois do acidente.
O acidente.
Sentiu os morcegos em seu estômago voltarem e pensou que iria vomitar.O sorriso em seu rosto de esvaiu,fora trocado por um rosto triste, sentido e por lágrimas que escorriam de seus olhos.Aquelas lágrimas que sempre voltavam,não importava o quanto bebesse,ou fumasse ; não importava o quanto ele tentasse fugir da realidade de sua vida, as lágrimas sempre voltariam: ela não.
Enxugou as lágrimas com a manga da blusa, e pousou-se sobre as mãos apoiadas pelos cotovelos nas pernas.
Ela não voltaria.
Era 14 de outubro.Ele havia sido acordado com o toque do celular naquele dia, era ela dizendo que tinha uma supresa para o aniversário de namoro deles.
- Te pego as 19:00hrs ta bom?
- Mas, eu sou o homem, eu devia dirigir.
- Como se você não sabe pra onde iremos? Seu bobo. Coloque aquele perfume que eu gosto vio?Até a noite,te amo.
Então quando o relógio marcava quinze para as sete ele já estava pronto.Estava acima de tudo feliz.Eram sete horas, sete e quinze, sete e meia, e nada.Quando o telefone tocou era uma voz conhecida, ela a irmã de sua namorada: ela tivera um acidente de carro e havia sido levada em estado grave para o hospital.
Seu mundo despencava naquele momento.
E sem pensar em nada, pegou o carro e partiu para o hospital, queria noticias mais detalhadas de sua namorada, como ela estava? Ela ficaria bem, não ficaria? Por que aquilo estava acontecendo?
- Onde ela está?
- Na UTI. - disse o pai da garota desolado.
Não, não podia ser.
E quando deu-se por si , já corria pelos corredores do hospital a procura dela, as reclamações dos médicos e enfermeiros passavam despercebidas por seus ouvidos que só ouviam agora o seu impulso de encontrá-la.UTI lia-se na placa ao fim do corredor, e era para lá que ele corria agora.Estava fora de si demais para pensar no que estava fazendo ali,entrando daquela maneira.Então ele a vio.
- Amor Amor, o que aconteceu? - disse as lágrimas, não conseguia falar ao ve-la daquela maneira: machucada, com arranhões e queimaduras pelo corpo.
Ela o olhou, seus olhos cor de mel tentavam sorrir para ele e dizer que tudo ficaria bem, mas não era tão boa mentirosa assim.
- Você vai ficar bem ta bom? Você vai sair dessa, eu estou com você.
Sua voz era fraca,quase incompreensivel.Como se todas suas forças estivessem sendo destinadas aquelas palavras que diria, as ultimas forças e palavras:
- Não amor, eu é que estou com você.E estarei todos os dias da sua vida,mesmo que você não me veja.Eu prometo cuidar de você de onde eu estiver, mas você tem que prometer que será feliz, que viverá bem e não fará nenhuma besteira...
- Para de fal...
- Prometa!
- Está bem,eu serei feliz...
- Que bom. - e as palavras sairam acompanhadas de um pequeno sorriso, o máximo que ela consguiu. - Ouça: Eu te amo.Sempre te amei e sempre vou te amar, mas eu não preciso ser seu unico amor.Não se sinta culpado se um dia amar outra.Se isso acontecer, realize com ela todos os sonhos que tivemos juntos, todos os seus sonhos.E não pense em mim.Mas se tiver que pensar, ou for mais forte, lembre-se de mim como aquela flor que você colheu para mim no alto da árvore: foi bonita e viveu bem, mas teve que morrer, não por culpa sua, ou minha, ou de outra pessoa; mas porque era a hora.
Um ultimo sorriso, e um adeus.
[...]
Levantou-se do banco e jogou o que sobrara do cigarro em suas mãos.
Era hora de cumprir uma promessa.Ou pelo menos, tentar.


'Então, agora você se foi e eu estava errado,eu nunca soube o que era estar sozinho.'
 Valentine's Day - Linkin Park

Iza Costa

Explicações

E ela odiava essa mania das pessoas de duvidar das outras.
Talvez porque era sempre absurdamente sincera e esperava que todos fossem assim, evitando então, tantas dúvidas sobre a verdade.
Quando dizia algo que podia ser interpretado como não confiável e não acreditavam em suas palavras ela ficava com os nervos a flor da pele. Ainda mais quando quem duvidava era de sua confiança: deviam confiar em suas palavras também.
Nunca se explicava, nunca provava nada.
Achava que quanto mais se tenta provar algo, mas se torna questionavel o assunto.Ela não, ela sentava e esperava que ou a pessoa acreditasse ou a  história se provasse sozinha, mas ela nada vazia.
Nem em casos de apuros.
Lembrava-se de um dia que fora acusada de contar histórias sobre uma amiga de infância.Ao ser apontada como culpada ela somente negou e disse que nada havia dito a ninguém sobre tal acontecimento.
Sua velha amiga,a quem ela confiava tudo também, não acreditou.
Sua resposta à essa suspeita foi um balançar de ombros.Não faria nada quanto a isso, cedo ou tarde a real culpada aparecia e ela seria inocentada do cargo de traidora.
Passaram-se 3 meses sem que elas nada conversassem, até que um dia sua ex-velha-amiga lhe chamou de canto enquanto a aula de história não começava e contou-lhe os novos fatos:
- Desculpe, agora sei que não foi você quem espalhou aquela fofoca sobre mim.Acabei de descobrir a culpada.Me perdoa?
Naquele momento ela apenas reforçou seu pensamento:
Quando nos sujeitamos a amizades e relacionamentos com as pessoas temos que aprender a confiar cegamente as vezes.Não sermos  feitos de bobos, mas não desconfiar.Não devemos cobrar explicações de nossos amigos, muito menos nos explicarmos.Ao conhecer uma pessoa ao fundo sabemos do que ela é capaz ou não.Um 'não' deve significar um não.Um 'sim' deve ser um sim.Se a pessoa não é competentemente sincera, não há motivos para querer-lhe por perto.É bom aprendermos a acreditar em quem está ao nosso lado sem pedir-lhes justificativas, razões ou esclarecimentos.
A palavra desses, deve ser sempre o suficiente.

Iza Costa

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Desculpa Se Te Chamo De Amor


“Medo de amar. Repito, mas o que há de mais bonito? Que risco maior vale a pena correr? Como é lindo se dar completamente a uma outra pessoa, confiar nela e não ter outro desejo a não ser vê-la sorrir (...) O amor mais bonito é uma conta errada, uma exceção que confirma a regra, aquela coisa para a qual você havia utilizado a palavra nunca. O que eu tenho a ver com o seu passado, eu sou uma variável enlouquecida na sua vida. Mas não posso convencê-lo. O amor não é sabedoria, é loucura (...)”
Desculpa Se Te Chamo De Amor - Federico Moccia


Niki é uma garota de 17 anos muito animada, daquelas que querem curtir ao máximo a vida e sempre diz o que pensa sem se preocupar , além de ter uma personalidade incrivel.Um dia ela se envolve em um acidente de trânsito com Alessandro: um publicitário famoso, de 37 anos e recém 'divorciado'. 
Bom, apartir daí vocês já devem imaginar que eles se tornam amigos, e a coisa evolui,e eles se apaixonam perdidamente, e essa é a parte legal do livro: eles são extremamente diferentes ; o mundo dos 'adultos' se chocando com o de uma adolescente sem papas na lingua.
O livro não mostra somente os problemas da diferença de idade e personalidade, mas também a dar valor nas pequenas coisas, pequenos momentos, e mostra acima de tudo que o amor trás vida para as pessoas (além de algumas confusões básicas).
Desculpa se te chamo de amor é o livro de romance mais PERFEITO que li em toda a minha vida! Sabem porque? É real. O que acontece no livro pode acontecer com qualquer um, ou ao menos é mais fácil se topar com um publicitário do que com um vampiro por aí.
É do tipo de livro que te prende todo o tempo, e que quando acaba da aquela vontade de voltar as páginas e ler tudo novamente.
Ah já ia me esquecendo, ao longo do livro o autor cita várias músicas e cantores reais, todos muitos bons! É como ler um livro com trilha sonora embutida.
Eu recomendo.

Iza Costa

Desabafo.

E tem coisa que é só um desabafo mesmo.
Não é para ser bonito, romantico, ou entendivel, é só para dizer que estou nervosa , irritada e que as pessoas não me agradam.Não espero acertar sempre,não espero que toda vez que eu ousar dizer meus pensamentos eles sejam claros e sirvam para os outros também. Nem eu me entendo, esperar que os outros entendam o que eu digo é burrice.
Escrever,para mim, é mais ou menos como dizer um palavrão: dá um alivio enorme. Tem coisa melhor que dizer algumas palavras de baixo escalão na hora da raiva ou tristeza? Ah não tem...
Mas nem sempre só um palavrão resolve as coisas, então eu escrevo: escrevo bobeiras, escrevos dramas, escrevos alegrias, escrevos decepções como se esperasse que o mundo as lesse e dissesse para mim baixinho que tudo vai melhorar, mesmo que fosse para me confortar apenas.
O sentido de muitas coisas vem de dentro de você: posso escrever aqui palavras totalmente desconexas e se você estiver sentindo o mesmo que eu,entenderá.Se não, somente vai dizer que sou uma idiota que tenta escrever alguma coisa legivel e bonita e falha patéticamente.
Por isso não estranhem quando eu escrever coisas ilógicas e incoerentes, mas procure em algum canto de você um sentimento que essas palavras imperfeitas causem, e com ele, você entenderá meus dizeres.

Iza Costa

Frieza.

Com o tempo começamos a pensar no desfecho das histórias e escolher não pelo dia de hoje,mas pelo de amanhã, depois e todo o longo prazo que ela trás.
Alguns menos avisados chamam isso de frieza e calculismo, eu chamo de cuidado.Se ontem,hoje e antes a história não tem dado certo pra que forçar mais a barra? Por que ficar insistindo no que não respira mais Se podemos cortar isso e nos prevenir de desgostos futuros? Seria certa burrisse nos mantermos nesse mesmo caminho que dará a um beco sem saída.Frieza pra mim não quer dizer ausência de sentimento, só falta de demonstração.Ninguém demonstra tudo que sente, e ser frio não quer dizer não ligar para como os outros estão.
Dizem também que quando fazemos isso magoamos as pessoas dessa história que mudamos.Engraçado - pelo menos seria engraçado se não fosse ridiculo - que essas pessoas que se dizem magoadas que começaram esse fim nos dando motivos pra mudar o roteiro original.No fim, acabamos sendo apenas 'pessoas frias e sem coração' quando na verdade é bem ao contrário, nós temos um coração, só que muito surrado.De tanto apanhar dezenas de vezes esse pobre coração criou uma proteção própria, um muro e um certo gelo mesmo.Ele adormeceu.Faz-me pensar em um vulcão desativado: talvez frio e sem vida por fora, mas ainda extremamente quente por dentro.
Uma hora , eu sei, ele vai voltar a atividade.Vai reencontrar vida mas por enquanto ele opta por encerrar tais histórias que não tem mais real sentido em continuar.

Iza Costa
Aí eu olho pro futuro e sinto um arrepio frio percorrer minha espinha.
Me sinto deslocada. É como se a ficha de que a infância já acabou e que agora eu tenho que começar a zelar por mim não caisse.Ouço meus pais na sala e não me imagino longe deles,viver sem eles. Assim como não me imagino sendo qualquer outra coisa extremamente responsável e com deveres,horários e - eca - rotinas.
Sonho, imagino, me perco em desejos para o futuro.Me esqueço do principal: o destino é incerto.
E se eu não passar na faculdade? E se não conseguir um emprego em que eu vá bem? Mas, tentando ser otimista, e se eu conseguir e me mudar pra uma cidade diferente, sozinha? Eu nunca me virei sozinha. Nunca fui boa em lavar minhas roupas, nem em ir ao supermercado.Não sei comprar carne, odeio faxina, e não como nada saudavel.
O que vai ser de mim sozinha?
[...]
O tempo passa. Mesmo quando não percebemos ou fingimos não perceber.Não adianta manter as atitudes infantis: você já não é criança, e se portar como tal não vai fazer o tempo voltar. Por mais dificil que possa ser temos que aceitar que crescemos e agora somos responsáveis por nós. Não teremos nossos pais para o resto da vida, e se quisermos ser 'alguém na vida' temos que lutar. Não encaro passar o dia todo no computador e sair aos fins de semana lutar.Muito menos pegar no caderno apenas nas vésperas de provas.
Temos que aceitar logo que,agora e cada dia mais, vamos parecer mais com nossos pais: responsáveis, adultos. E quanto mais rápido mudarmos, melhor será para nós.
Aprender a se virar sozinhos, a cuidar de si mesmo, ser auto-suficiente.
Se o futuro será uma faculdade, uma profissão, fama ou trabalhar de vendedora o resto da minha vida não sei,assim como não sei se é aqui, ou lá, ou acolá, ou qualquer outro lugar, nem se é perto de minha familia ou distânte.
Mas pretendo lutar pelo futuro que quero.

Iza Costa