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sexta-feira, 14 de maio de 2010

O Inverno Part. 4 (Final)

O homem estava olhando-a animado; como se pressentisse novidades no ar.Sem mais agüentar, ele resolveu ser o primeiro a falar:
- Olá Liah, boa noite menina.
- Boa noite Senhor. – educadamente respondeu a garota.
- Então, virás comigo está noite?
A mesma pergunta.
Todas as aparições desse estranho homem sempre vinham acompanhadas da mesma pergunta: virás comigo? Liah se lembrava que, nos primeiros dias, ela dissera prontamente que não para o estranho. Não chegara nem mesmo a perguntar para onde, ou para que, apenas dissera bruscamente que não iria a lugar algum.Talvez por medo. Todavia, o medo havia se esvaído e, embora agora sentisse certa simpatia pelo homenzinho, ainda não havia feito essas mesmas perguntas. Para onde ele queria levá-la?
Contudo, hoje seria diferente.
Nos últimos dias ela, antes da chegada e depois da partida de Noah, se perguntava o que aquele desconhecido queria com ela, ou até mais que isso; por que não se lembrava dos momentos sem Noah? Onde ela passava todas as noites? E Noah? Algo lhe dizia que aquela estranha figura,agora em sua frente, tinha as respostas.E ela queria essas respostas.
- Senhor, diga-me, para onde queres me levar?
- Menina, aqui não é teu lugar.
- Claro que é – respondeu a garota irritada – não vê? Aqui tenho tudo que amo, e tudo que amo me ama! Aqui é meu lugar.
- Ingênua Liah, não vês? Este é somente o sonho que você inventou para refugiar-se dos males da vida, mas ele se tornou tão real dentro de ti, que quando teve a chance, criou vida própria e te roubou do mundo.
Pela primeira vez, Liah sentira medo verdadeiro do homem.Seria ele louco? Do que estava falando? Sonhos, realidade, invenção? Que bobagens! Ela sabia muito bem onde estava.
- Estas louco.
- Não, estou sóbrio.Por isso vejo muito além do que você vê, Liah. – respondeu-lhe sem se deixar abater pela ofensa da garota. – Olhe ao seu redor Liah, tudo isso,é tudo que você ama e queria. Mas nada é real.Guardamos memórias de sentimentos reais, o que você se lembra desde que chegou aqui?
Dessa vez o pânico a invadia; realmente ela não se lembrava de quase nada desde que chegara aquele lugar, desde que reencontrara Noah, desde que começara a ser feliz.
O homem de roxo sabia que ela estava perdida em pensamentos, totalmente confusa e quis ajudá-la.Sem que ela o contestasse ele prosseguiu:
- Venha comigo Liah, e te devolverei a seu mundo.
Num estalo, ela acordou de seus devaneios ao ouvir a voz do estranho.
- Meu mundo?
- Sim, pequena. A realidade.
- O que encontrarei lá?
- Dor, morte, saudade.
- Ora, por que eu iria para um lugar assim? – respondeu em tom levemente sarcástico.
- Porque esses são apenas os contras. Lá você também terá amor, família, e vida. Terá mais que dias frios e nublados de inverno, terá sol, chuva,e um céu estrelado. Além disso, terá memórias, e sentimentos mais complexos. Pessoas à esperam, Liah.
Família? Vida? Será isso que ela precisava? Uma coisa era certa; os últimos dias naquele lugar não haviam sido tão felizes. Noah, a neve...eram maravilhosos, mas faltava algo, e Liah não sabia o que. Talvez fosse isso? Aquele não era seu lugar? Sentiu-se tentada em dizer logo um ‘sim’, queria ir para essa tal realidade. Mas hesitou.
- E se eu não quiser? Se eu desejar ficar aqui para sempre?
- Se desejar isso, menina, virei ainda assim te visitar.
- Todos os dias?
- Todos os dias, até desistirem de você.
- Como assim?
- Você não entendeu não é? Isso – disse apontando para tudo que havia em sua volta – é a casa de sua alma. Você se nega a voltar para a realidade, mas ela não existe sem você. Quando as pessoas que te amam pararem de lutar por você,lutar pare que você volte, então não haverá motivo para que eu a visite.Sua alma viverá eternamente neste lugar.
- Entendi.
Apesar de confuso, ela realmente entendera. Não havia outra explicação para isso tudo. Ela tinha que decidir: ou ela voltaria a vida real, ou passaria todo o sempre naquele sonho. Mas ela gostava do sonho, gostava do frio, e gostava de ter Noah por perto.Porém, ‘toda a eternidade’ era tempo demais para se passar ali.
- Ainda terei Noah quando voltar?
- Talvez.
- Não pode me dizer com certeza?
- Liah, a realidade não lhe da certezas. Você é quem deve conquistá-las.
Um suspiro.
- Tudo bem, eu vou.
- Ótimo. – disse o velho tirando sua cartola e a cumprimentando pela sábia decisão. – Feche seus olhos, quando eu disser...
- Espera! – disse rapidamente Liah.
- O que foi? Não vai voltar atrás, não é? – respondeu o homem assustado com o grito da menina.
- Não, eu só queria fazer uma coisa antes...
Liah deitou-se na neve. Fechou os olhos, e realizou sua velha vontade: agora, com braços e pernas em movimento, a menina fazia um anjo no chão coberto por neve.

[...]

Suas mãos estavas prestes a segurar a maçaneta quando o garoto ouviu um barulho, era um dos aparelhos; apitava absurdamente e desesperadamente alto.Ele olhou rapidamente todos: era aquele ligado ao seu pulso que apitava, aquele que marcava seus batimentos cardíacos. Se aproximou da cama, olhou para a garota, e para o aparelho: estava subindo, o coração dela estava batendo mais rápido! Sem saber o que fazer, segurou-lhe a mão forte.
- Algum médico por favor! Aqui!
Seus olhos ainda estavam nela, as mãos unidas na única mão livre, e ele então viu: os olhos da garota agora se abriam lentamente, ela estava finalmente acordando.
Sua cabeça doía; seus braços estavam cheios de agulhas; sua vista embaçada e a garganta anormalmente dolorida e seca.Mesmo assim, ela teve forças para dizer baixinho e sufocadamente o nome dele:
- Noah...
- Sim Liah, eu estou aqui.
Noah tentou controlar a emoção, tentou controlar o sentimento que agora nascia no seu peito: felicidade. Ela estava viva, estava bem, havia acordado.Tudo iria melhorar. Mas era demais para ele agüentar, tinha que colocar aquilo para fora: deixou então as lágrimas escorrerem por seu rosto.Lágrimas,que agora, não eram mais de angustia, nem medo; eram alegria liquida.
- Obrigada.
- Pelo o que? – perguntou o menino confuso, não estava entendendo nada.Será que Liah estava delirando?
- Por ter lutado por mim. – respondeu com um leve sorriso.
As portas se abriram, Dr. Baker e a Sra. Kennedy entravam.
- Minha filha, eu sabia que você voltaria, ah meu amor...
Mas Liah não ouviu o resto.Estava distraída olhando atentamente o médico; ele lhe era estranhamente familiar.Havia visto ele em algum lugar,mas onde? Seus olhos, sua barba...Claro, era ele o homem da cartola  preta, era ele.Ela tinha certeza.Usava agora roupas brancas, diferente dos seus sonhos.Porém ela havia visto tantas vezes aquele homem que era impossível não reconhece-lo. O homem de roxo.


[...]

- Senhor Desconhecido, mais uma coisa, antes de eu ir, me diga, qual seu nome?
- Por que querer saber menina?
- Para lhe agradecer, gentil Senhor.
- Pois bem, pode me chamar de Vida.


Iza Costa

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O Inverno Part. 3



O céu nublado agora se misturava com o crepúsculo; não era mais cinza e sem vida, era vermelho, em algumas partes era tão intenso que lembrava fogo. Um fogo vivo, majestoso, impagável.
Por mais bonito que fosse, Liah não gostava dele.Era aquele o sinal de que o momento de Noah ir embora havia chegado. Desde que começaram a se encontrar naquele parque, todos os dias, ao pôr-do-sol o garoto a deixava. A garota só perguntara uma vez o porque disso...
- Noah, você tem que ir embora mesmo?
- Sim Liah, eu devo.
- Mas...por que justo no pôr-do-sol ? Ele é tão lindo, queria vê-lo com você!
- Nós teremos todo o tempo do mundo para ver o sol nascer e se pôr um dia Liah, só precisamos esperar.Até lá, tenho que me despedir dessa maneira.
A resposta não havia sido clara, tampouco satisfatória, mas ela não queria brigas.Não queria contrariá-lo, desde que ela o visse todos os dias, por ela, tudo bem ele ir embora naquele momento.
Então ele se foi, e ela novamente se sentou no balanço, sozinha, e fitou o céu.Não era somente cinza e vermelho, também era assustadoramente negro.Sentia um pouco de frio agora, mas não era somente pela neve; ela sempre se sentia assim quando Noah ia embora. Como se ele levasse consigo o calor do corpo da menina; seu sangue; seus pensamentos; seu coração. Não existia vida sem ele por perto. Liah só se lembrava dos momentos em que estava com o garoto; o resto, era apenas um borrão indecifrável em sua memória.
Apesar disso, ela sabia bem o que aconteceria agora.
Ele apareceria.
Olhou para o céu e viu os pequenos raios que anunciavam a chegada do estranho; e rapidamente se postou de pé para recebê-lo, mas era tarde: ao abaixar a cabeça ela percebeu que ele já estava ali, a poucos metros a sua frente, a examiná-la.
 O homem já lhe era familiar; usava um sobretudo preto, calças pretas, sapatos pretos, e uma cartola preta, apenas sua camisa era diferente; roxa. O mesmo roxo que aparecia no céu quando ele vinha aos fins de tarde. Ele tinha um olhar compreensível e seu rosto parecia sempre estar calmo; apesar disso, era um tanto estranho. Não era novo, mas não era velho demais. No máximo, seria seu pai.Possui-a uma barba cinzenta rala, menos no queixo.Lá ela era um pouco maior, daria para fazer tranças, pensou uma vez a menina.
Trazia sempre um bastão que, ora brincava em suas mãos, ora servia de apoio no chão.
Ao todo, um homem misterioso, pavoroso e encantador.

[...]

Após uma longa discussão consigo mesmo, o rapaz decidiu entrar no quarto.Em silêncio, caminhou até o lado esquerdo da cama onde a garota estava deitada, e a observou.Ela era como ele havia imaginado; não excepcionalmente bonita, muito menos feia, apenas bela.Mas todos aqueles canos, agulhas e aparelhos em sua volta e pele estragavam tudo.Procurou sua mão sobre a cama, mas ela estava repleta de agulhas: uma injetava soro, as outras vários tipos de remédios; calmantes, anestésicos, qualquer tipo de droga que não a fizesse sentir dor.
Haviam algumas ataduras ainda do acidente; machucados não cicatrizados pela falta de reação dela, pensou enquanto dava a volta na cama.
Ao lado direito, sua mão estava livre.Meio sem jeito, o garoto levou suas mãos junto a dela, cobrindo-a, protegendo-a.Reparou então no rosto da garota, não havia dor ali, nem tristeza.Aliás, não havia nada.Aparentemente, nem uma alma.
Foi o pensamento que o invadiu naquele momento; fria, sem sentimentos e sem vida, como uma estátua. Um recipiente vazio. Onde estaria seu conteúdo?
Ainda segurando sua mão, ele aproximou seu rosto do dela, tinha esperança de que ela reagisse a proximidade, mas nada aconteceu. Seus lábios já estavam perto de seus ouvidos, então baixo, como que sussurrando para o coração suas palavras saíram envolvidas por amor:
- Queria ver seus olhos.Queria ver a vida em você, menina.


Continua.

Iza Costa

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Inverno Part. 2


A mulher havia parado de chorar. Um ou dois copos de água com açúcar a acalmaram,  juntamente com um comprimido de calmante e a ajuda do doutor.Ele, homem de bem, sentia muita pena daquela mulher que agora,praticamente, morava no hospital.Mais que isso, sentia simpatia por aquela mulher batalhadora que não perdia suas esperanças, mesmo sozinha, mesmo sem motivos para ainda as tê-la.
- Diga-me Dr. , como ela está? – foram as primeiras palavras a saírem de sua boca ao colocar o copo com água ao lado da janela de vidro.
- Srª, estamos fazendo todo o possível, porém ela não está respondendo aos tratamentos.Já tentamos tudo; remédios, alguns até perigosos, equipamentos modernos, terapias diversas, mas não ouve resposta.Temo que seu estado seja irreversível.
- Não, não pode ser. Ela vai acordar!
- Elena, escute: - pegou firmemente em seus braços e a vez encara-lo – já se passou mais de dois meses; e ela não reagiu a nada! Já passou o tempo em que seu coma era considerado reversível, é quase nula as chances dela voltar. Nós,médicos, não conseguimos achar um motivo para ela não acordar, todos exames foram feitos, e nada.Nada cientifico, nada médico, nada explica o porque de ela ainda não ter acordado. Está na hora de você começar a aceitar isso, por pior que seja, talvez ela não volte para casa.
Com essas palavras, sua fé morria um pouco mais.Não dava para agüentar tudo aquilo; o acidente; a perda de seu marido e agora sua filha,sua única filha.O que ela faria da vida sozinha? Não, ela não desistiria.
- Ainda há chances Dr. ?
- Poucas, devo dizer.
- Então não desistirei, estamos falando da minha filha. Não irei desistir! – sua voz saiu confiante e seu rosto severo, a melhor máscara que conseguia por naquele momento.

[...]

A tarde passava como todas as outras.Noah e Liah haviam passado um bom tempo sentados conversando sobre os mais diversos assuntos; música, livros,o lugar onde estavam...
Quando cansavam, ou simplesmente as palavras não eram mais necessárias, levantavam dos balanços , davam as mãos, e andavam sobre a neve fofa do parque; sem dizer muita coisa, apenas juntos.Apenas sentindo o calor de suas mãos entrelaçadas, e observando tudo ao seu redor.Era tudo perfeito.
Perfeito demais para ser real, Liah pensou uma ou duas vezes.
Um tempo atrás, não sabia bem quando, Noah estava longe em corpo e alma.Eles não se viam ou sentiam, apenas conversavam, pior que isso; ele não a amava.Ela se lembrava também das várias brigas que tiveram, de sua voz furiosa, se suas palavras ásperas, e do fim que haviam tomado.Havia passado dias olhando a foto dele em seu diário; os cabelos pretos sobre os olhos, a cara de bravo, e seus olhos negros brilhando...
Passado.
Agora ele caminhava ali , ao seu lado, de mãos dadas.Seu rosto não possuía mais ira, somente carisma.Sua voz era doce como mel, e as palavras melódicas como música.Ele não a magoaria, ela tinha certeza disso.

[...]

- Olá, vim visitar a Srt. Kennedy.
- Segundo quarto a direita nesse mesmo corredor, numero 402. – respondeu a enfermeira sem prestar atenção em quem lhe falava.
- Obrigado. – disse o garoto educadamente e saiu pelo corredor em direção ao quarto.
Estava sério, preocupado. Devia conhecer a garota a um bom tempo, alguns anos pelo menos. Andava imponente pelo corredor ,conseguindo os olhares de algumas garotas que aguardavam para serem examinadas na sala de espera.
Daqui 3 portas estaria perto dela; agora 2 ; depois 1... agora apenas A porta lhe separava dela.A mão estava na maçaneta, ainda hesitando abri-la.Percebeu o vidro que dava para o quarto, e foi até ele.
Lá estava ela.
Olhos fechados, a pele mais branca do que o normal, e aqueles aparelhos. Era demais para ele ver aquilo; como se cada agulha no corpo dela representasse uma em seu coração.Se sentia sufocado; sem se dar conta apoiou-se no vidro a sua frente e deixou as lágrimas caírem. Agora ele conseguia respirar; o que sufocava seus pulmões era o choro que vinha de dentro, forte, triste e impiedoso.
‘Se ao menos eu estivesse aqui antes...’

Continua. 

Iza Costa

terça-feira, 11 de maio de 2010

O Inverno


 Havia neve no chão do parque.
Folhas secas se misturavam com o branco em baixo das árvores nos brinquedos.Não tinha ninguém ali, fora a garota.
 Estava sentada no balanço olhando distraidamente o céu nublado.Talvez inconscientemente, dava pequenos impulsos, ora com o pé esquerdo,ora com o direito. Usava um casaco preto e uma saia acompanhada de meias que iam até seu joelho e possuíam detalhes vermelhos que combinavam com o pequeno laço em sua sapatilha.Protegendo seus cabelos negros da umidade, uma boina também vermelha.A roupa, ao todo, lembrava o uniforme de algum colégio.
Aparentemente estava feliz, seus olhos castanhos tinham brilho; e seus lábios levemente rosados pareciam imunes a temperatura baixa dali. Segurava o balanço com força, apesar de não ter medo de cair.Era só para ocupar as mãos, e essas faziam um contraste bonito com as correntes de ferro.
Mesmo com a neve, a garota não sentia frio. Gostava muito daquele clima gelado, apesar de não viver nele a algumas semanas atrás.
As vezes, se lembrava de quando era criança e desejava fazer anjos no chão de neve e não podia.Mas agora havia neve ali, em todo lugar. Ela se sentia tentada a realizar esse desejo, porém isso desarrumaria sua roupa e cabelos naquele momento, e ela não podia se dar a esse luxo pois estava a esperar alguém.

[...]

A mulher agora olhava atentamente para o quarto atrás do vidro; no seus olhos cansados e em seu rosto repleto de pequenas rugas, se via uma mistura de esperança e medo.
Quase não piscava ao contemplar a garota na cama. Qualquer um diria que ela apenas dormia se não fosse os vários aparelhos ligados ao seu corpo, e o homem de avental branco que estava ao seu lado examinando-a.Estava sério, com toda certeza possuía anos de experiência.Mexia atentamente em alguns botões nos aparelhos; girava para lá e para cá outros; sentia o pulso da garota; sua respiração fraca. Claramente não estava satisfeito com as conclusões em que havia chegado.
A mulher do lado de fora ainda observava atenta, não queria perder nenhum detalhe.Ao olhar para o médico sentiu algo estranho,sentiu uma onda de desespero a invadir; sabia que as noticias não eram boas.Logo, se perdeu em pensamentos, a agonia a tomava novamente; a dor de não saber o que iria acontecer com a garota no quarto atrás do vidro.
Sem que percebesse, o médico já estava ao seu lado, a observando e desejando ter boas noticias para lhe dizer, mas não tinha.
- Então Dr. ? Como ela está? O que está acontecendo? Eu quero minha filha de volta! – e aos prantos se deixou cair na cadeira que estava ali perto, as mãos tampavam seu rosto, e ainda assim o som do choro e as lágrimas caindo eram perceptíveis.
O médico colocou a mão em seu ombro, ele também estava desconfortável com aquilo. Se sentia incapaz ao ver a garota na cama, como se todos seus anos de experiência nada valessem.

[...]

- Pontual como sempre Noah. – era a garota no balanço. Sua voz era calma e gentil, claramente feliz pela chegada do garoto.Suas palavras saiam acompanhadas de um sorriso no canto esquerdo, que a deixava ainda mais jovial e bonita.
- Não ousaria me atrasar para te encontrar Liah. – respondeu enquanto se sentava no balanço vazio ao lado da menina e envolvia seus braços nas correntes.Dava pequenos impulsos para manter-se em movimento.
- O dia está bonito, não está? Sinto dentro de mim que o inverno está acabando, é como se eu visse as flores se abrindo e o sol aparecendo novamente. Algo mais que neve.
- Receio que sim, mas não gosto disso.
Liah o fitou por alguns segundos. Ele usava a mesma roupa dos últimos dias; vestimentas inteiramente pretas, menos os botões. Eles eram pratas e, mesmo sem muita luz, reluziam como se possuíssem brilho próprio. O rosto do garoto estava voltado para baixo, e ele parara de balançar.
- Por que diz isso?
Ambos olhos negros agora se olhavam, perdidos.Um queria respostas, o outro, queria evitar ter de responde-la, mas não podia.Era sua obrigação sempre lhe contar a verdade, era seu melhor amigo.Sua única companhia.
- Quando o inverno acabar,Liah, não vai mais precisar de mim aqui.
Ainda que triste com as palavras ditas, Noah apenas sorriu.

[...]

Continua.

Iza Costa

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O Jogo Part. 3 (Final)

- Do que você está falando?
Não teve muito tempo para explicações, as amigas da garota já saiam de três carros estacionados por perto.Eram cinco ao todo, contou rápido o garoto.Prontamente ele reconheceu quatro das que estavam agora paradas a lhe olhar; algumas de sua extensa lista.
- Mari? O que é isso? - disse sem reação, sem entender o que se passava ali naquele momento.
- Isso - disse a garota de vestido vermelho acima do joelho e cabelos negros - é uma pequena vingança nossa.
Ele olhou novamente para Mari; perplexo. Ela sabia de tudo desde o começo, havia fingido todo o tempo.Um plano estupido que agora o partia o coração, sentia-se um completo imbecil.
- Ora, ora...está tristinho é? Coitadinho. - acabara de falar a garota de roupa apertada que saira do carro preto, acompanhada de um sorriso malicioso.
- Vocês não podiam...- disse com a cabeça abaixada, pensativo sobre aquela situação toda, aquela bagunça que ele criara.
- Por que não? Não é isso que você e seus amigos sempre fizeram? Mas, sem mais delongas, vamos embora garotas.
Sua cabeça levantou ao encontro da garota, a sua garota.Ela acenou negativamente,um pequeno movimento em seus lábios apareceram mas cessaram rapidamente.Ele olho em seus olhos; por um momento exitou falar, ela havia brincado com ele todo esse tempo; ele que passara noites inteiras olhando para o teto e pensando naquela garota que o tirava o sono, deixara de sair com os amigos; aguentara brincadeiras sem graças de todos, para isso. Não podia ficar calado, tinha que dizer algo, tinha que xingá-la, faze-la sentir-se como ele agora se sentia; em pedaços.
- Mari!
Apesar de apenas um nome ter sido dito, todas as garotas o encararam. Esperando o que quer que ele fosse dizer; no minimo alguns insultos.
- Olha, eu devia praguejar palavras horriveis agora; e te fazer sentir a pior pessoa do mundo.Mas não vou.Não vou,não somente porque sei que eu comecei isso tudo, mas também por não conseguir.Nunca diria algo para você que te machuca-se.Tudo que eu disse, foi verdadeiro.O jogo acabou no momento em que te conheci.
Via-se em companhia dessas palavras um pequeno sorriso, aquele meio constrangido e meio sem rumo que ela havia visto várias vezes naquele bar.
Mari pensou em correr até ele, em abraça-lo e pedir desculpas, entretando se conteve.Ele merecia aquilo.

[...]

Ele tentou voltar a vida 'normal' dele.Fazer as coisas que fazia antes, sair com os amigos, 'pegar' outras garotas; mas sem sucesso, nada daquilo tinha graça agora.Então desistiu.
A garota ainda não saira da cabeça dele.
Haviam se passado 3 semanas: parou de sair com os amigos, de beber mesmo indo aquele bar todo o sabádo para procurá-la.Andava triste.Apesar dos motivos para ter raiva, ele queria vê-la, queria perguntar se tudo aquilo era mesmo somente uma mentira, os olhos dela eram tão sinceros, e seu sorriso.Era improvável que fosse tudo armação.Ele nunca havia sentido aquilo; aquela vontade de estar com alguém, mesmo com tudo aquilo acontecendo.
Por outro lado, uma voz gritava perturbadoramente para que ele a esquecesse, que ela havia feito ele de idiota, e que tudo não havia passado de uma farça.Mas a vontade de encontrá-la era maior, mesmo com aquele resentimento, ele queria falar com ela novamente.

[...]

Era sabádo.Dia de ir novamente aquele bar e procurar o que ele tanto queria; respostas.
Todos os sabádos haviam sido iguais, somente decepção o aguardava naquele balcão, mas nesse, foi diferente.
Lá estava ela, parada, olhando a pista.Os cabelos pretos brilhando nas luzes da boate, a calça apertada e aquela mesma blusa em V.
Ele sentiu seu corpo arrepiar, agora que ela estava ali, a situação parecia mais complicada do que ele imaginara.Mesmo assim, se aproximou e sentou ao seu lado no balcão, pediu uma bebida e a olhou.Ela sabia que ele estava ali; sabia que ele a olhava, mas mantinha seus olhos em um casal que dançava no meio da pista.Esperava que ele falasse algo, se manifestasse.Algo lhe dizia que ele a xingaria de todos os nomes possiveis, ainda assim ela queria ouvir a voz dele.
- Mari, me perdoa?
Ela se assustou com a sua fala.Perdão? Como assim ele lhe pedia perdão? Ela que havia mentido e enganado a todo momento naquele lugar.
- Por que diz isso?
- Se não fosse esse Jogo estupido, não teria sido assim.Eu te encontraria, e dançaria com você a noite inteira, e só teria olhos pra você , como tenho agora, mas ninguém atrapalharia.Não haveria nada que nos impedisse que ficarmos juntos.Nada, a não ser, que você não quisesse, e eu entenderia.Por que você iria querer alguém idiota como eu?
- Realmente, não sei porque iria querer alguém idiota como você...- e parou para olha-lo, ele abaixou a cabeça meio constrangido com as palavras dela - entretando, eu quero. E não me pergunte o porque. Na primeira vez que te vi, eu senti isso que sinto agora, era real, mas me convenceram a entrar nisso, me conenceram que eu seria mais uma.Não acreditei em você, e me arrependo. Tudo que aconteceu, foi real.Juro.
Finalmente, eles se olhavam. Finalmente, os mal entendidos haviam sido resolvidos...ou quase. Ela sorriu, e voltou a olhar para o casal.
- Seus amigos não vão gostar que você saia da brincadeira.
- Eles vão entender, se não, eu estou disposto a arriscar.
- Ora,ora... então você é oficialmente agora um homem de uma mulher?
- Acho que sim...
- Acha? - disse com levantando a sombrancelha direita e usando uma voz de repreensão.
- Sim, eu sou. - e sorriu.
Sorriu feliz da escolha que fazia, feliz por não ser mais um cara detestável e feliz, por finalmente, ter encontrado a garota dos seus sonhos.
Nesse meio tempo desde que a conhecera, ele pensava nisso constantemente: na paixão, no envolvimento, no amor. Foi nesses pensamentos que ele descobriu que nunca fora completo de verdade, que toda essa brincadeira não passava de uma distração, de medo do que podia acontecer se um dia se entregasse para alguém, mas o dia havia chegado e ,de longe, era tão assustador como ele imaginara.Agora ele tinha paz, tinha um porto seguro, alguém para voltar e estar sempre do seu lado, alguém que ele realmente gostava.
Seria estranho todas essas mudanças repentinas, mas ele com certeza se acostumaria com o tempo.Mudanças boas são sempre bem vindas.
Não sentiria falta da sua velha vida porque ser livre é totalmente sem sentido quando não se tem um lugar para voltar.
Algo lhe dizia que daria certo, e se não desse, ao menos ele saberia agora o que é ser duas pessoas batendo em um só coração.Sabia ao menos uma coisa; a vida que ele tinha antes não voltaria, nunca mais ele faria algo do tipo com alguém, descobrira da pior forma o que era um coração ferido, e dá melhor, o que era o amor.

Fim

Iza Costa

sábado, 1 de maio de 2010

A Flor

Estava bebado demais para saber onde se encontrava naquele momento.
Tinha saido de perto dos amigos havia um bom tempo,depois das doses de vodka e de algumas garrafas de cerveja.Bebera demais para alguém que sequer gostava de alcool.
Olhou para trás e vio algumas luzes, talvez o bar em que estivera a alguns minutos atrás.A cidade estava vazia,graças ao feriado, todos provavelmente estavam viajando.Era um cruzamento, e ele resolveu virar para a direita: de longe, com o pouco de noção que sobrara, ele via uma pracinha pequena com alguns bancos, árvores e no centro um pequeno coreto cercado de estatuetas de anjos possuindo instrumentos músicais nas mãos.
No chão a quantidade de folhas era incontável, era outono e as folhas amarelas e alaranjadas caiam excessivamente.Sentou-se em um banco abaixo da maior árvore que ali havia após limpá-lo com as mãos,tentando se sentir protegido talvez.Estava frio , humido e escuro; a maioria dos postes de luz estavam quebrados.Sentia suas mãos congelarem e o ar gélido no seu rosto, mas não ligava pois ele também se sentia frio por dentro.
Levou a mão ao bolso e tirou um maço de cigarros pretos juntamente com um isqueiro prata onde se via um cavalo desenhado.Meio sem jeito pelas mãos geladas, ele acendeu.
Olhava ao longe sem saber para o que exatamente;no céu se via poucas estrelas,as nuvens provavelmente tampavam a maioria, talvez iria chover.Tentava não pensar em nada, mas quanto mais tentava não pensar, mas lembrava.Sua embriaguez estava passando e ele desejava ter trago consigo uma garrafa de cerveja.
Jogou a cabeça para trás e fechou os olhos; odiava aquelas memórias que não saiam de sua cabeça quando estava são.Talvez por isso nos ultimos 5 meses ele bebia mais do que respirava, era a unica maneira de se livrar daquelas lembranças infelizes.Ou talvez felizes demais, por isso ainda o visitavam com tanta frequencia no presente.
- Vamos amor, hoje vou te levar para um lugar especial.
- Para onde?
- Shii, não estraga a surpresa.
- Ah me conta vai.
- Você vai ver, não seja teimoso.
Era uma praça parecida com aquela a surpresa dela naquele dia, até os anjos em volta se pareciam com aqueles da praça visitada a muito tempo atrás, ou eram as árvores? Não,era primavera quando haviam visitado a praça e as flores não estavam no chão, e sim nos galhos, e ele tentava pegar uma para ela.
- Quero aquela ali.
- Mas você gosta de me dar trabalho heim?
Quem dera se o unico trabalho que ela me desse fosse esse; pegar uma flor no alto de uma árvore.Sorriu com esse pensamento besta e levou o cigarro a boca, outra tragada,e mais uma.Começara a fumar quando ela se fora, juntamente com o alcool e ,as vezes, outras drogas.
Não esqueceria o primeiro dia em que ele fumara a primeira vez, primeiro o alcool e depois o cigarro.
Era 15 de outubro, um dia depois do acidente.
O acidente.
Sentiu os morcegos em seu estômago voltarem e pensou que iria vomitar.O sorriso em seu rosto de esvaiu,fora trocado por um rosto triste, sentido e por lágrimas que escorriam de seus olhos.Aquelas lágrimas que sempre voltavam,não importava o quanto bebesse,ou fumasse ; não importava o quanto ele tentasse fugir da realidade de sua vida, as lágrimas sempre voltariam: ela não.
Enxugou as lágrimas com a manga da blusa, e pousou-se sobre as mãos apoiadas pelos cotovelos nas pernas.
Ela não voltaria.
Era 14 de outubro.Ele havia sido acordado com o toque do celular naquele dia, era ela dizendo que tinha uma supresa para o aniversário de namoro deles.
- Te pego as 19:00hrs ta bom?
- Mas, eu sou o homem, eu devia dirigir.
- Como se você não sabe pra onde iremos? Seu bobo. Coloque aquele perfume que eu gosto vio?Até a noite,te amo.
Então quando o relógio marcava quinze para as sete ele já estava pronto.Estava acima de tudo feliz.Eram sete horas, sete e quinze, sete e meia, e nada.Quando o telefone tocou era uma voz conhecida, ela a irmã de sua namorada: ela tivera um acidente de carro e havia sido levada em estado grave para o hospital.
Seu mundo despencava naquele momento.
E sem pensar em nada, pegou o carro e partiu para o hospital, queria noticias mais detalhadas de sua namorada, como ela estava? Ela ficaria bem, não ficaria? Por que aquilo estava acontecendo?
- Onde ela está?
- Na UTI. - disse o pai da garota desolado.
Não, não podia ser.
E quando deu-se por si , já corria pelos corredores do hospital a procura dela, as reclamações dos médicos e enfermeiros passavam despercebidas por seus ouvidos que só ouviam agora o seu impulso de encontrá-la.UTI lia-se na placa ao fim do corredor, e era para lá que ele corria agora.Estava fora de si demais para pensar no que estava fazendo ali,entrando daquela maneira.Então ele a vio.
- Amor Amor, o que aconteceu? - disse as lágrimas, não conseguia falar ao ve-la daquela maneira: machucada, com arranhões e queimaduras pelo corpo.
Ela o olhou, seus olhos cor de mel tentavam sorrir para ele e dizer que tudo ficaria bem, mas não era tão boa mentirosa assim.
- Você vai ficar bem ta bom? Você vai sair dessa, eu estou com você.
Sua voz era fraca,quase incompreensivel.Como se todas suas forças estivessem sendo destinadas aquelas palavras que diria, as ultimas forças e palavras:
- Não amor, eu é que estou com você.E estarei todos os dias da sua vida,mesmo que você não me veja.Eu prometo cuidar de você de onde eu estiver, mas você tem que prometer que será feliz, que viverá bem e não fará nenhuma besteira...
- Para de fal...
- Prometa!
- Está bem,eu serei feliz...
- Que bom. - e as palavras sairam acompanhadas de um pequeno sorriso, o máximo que ela consguiu. - Ouça: Eu te amo.Sempre te amei e sempre vou te amar, mas eu não preciso ser seu unico amor.Não se sinta culpado se um dia amar outra.Se isso acontecer, realize com ela todos os sonhos que tivemos juntos, todos os seus sonhos.E não pense em mim.Mas se tiver que pensar, ou for mais forte, lembre-se de mim como aquela flor que você colheu para mim no alto da árvore: foi bonita e viveu bem, mas teve que morrer, não por culpa sua, ou minha, ou de outra pessoa; mas porque era a hora.
Um ultimo sorriso, e um adeus.
[...]
Levantou-se do banco e jogou o que sobrara do cigarro em suas mãos.
Era hora de cumprir uma promessa.Ou pelo menos, tentar.


'Então, agora você se foi e eu estava errado,eu nunca soube o que era estar sozinho.'
 Valentine's Day - Linkin Park

Iza Costa

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Destino part 3 ( Final )

"E quando nos encontrarmos o mundo irá parar.Não ouviremos os carros, nem os passáros, nem o que os outros dizem.Na nossa frente, nas nossas laterais tudo o que veremos será a nós mesmo.O mundo será você e eu."

Era essa a promessa que ele agora cumpria em seus braços pensou ela.O mundo parado, ou talvez, a ausência dele.Um vazio somente onde se encontravam dois corações acelerados, divertidos e curiosos, mas acima disso, que se amavam.Haviam cultivado esse amor por meses, até aquele momento: era hora de colhe-lo, aproveitar e viver.Sentir acima de tudo.

Os lábios se separaram, e ambos sentiram eles esfriarem, como se agora precisassem do calor um do outro acima de tudo.
Ele sorriu, aquele sorriso tão perfeito que a fazia sentir suas pernas fraquejarem.Arrumou o cabelo dela o colocando atrás da orelha enquanto ainda sorria.
- Você é linda, sabia?
- Não sou não.
- É sim, linda e boba.
Ela não se sentia nenhum pouco ofendida por aquele 'boba'.Só eles sabiam que nunca foram dos mais melosos, mas se gostavam.Normalmente o que mais ouviam do outro era 'chato, bobo, feio'sucedido por um te amo.
- John!
Uma garota o gritava ao longe.Era bonita, mas totalmente diferente daquela que se encontrava aos braços dele no momento.Tinha cabelos negros, uma pele levemente morena e usava roupas coloridas.
Se olharam. Os olhos dele se abaixaram obviamente envergonhados.Ela, mesmo odiando ter que faze-lo, o empurrou se livrando de seu abraço, e aquilo doeu como nenhuma ferida nunca doera.Renunciar o que ela mais queria.
A garota que o havia gritado agora estava ali, perto. Os fitava com um rosto que continha uma mistura de raiva e dor.Observava a garota de preto em sua frente da cabeça aos pés: era impossivel não notar o desprezo em seus olhos.
- O que diabos é isso? - disse ,apesar de tudo calma.
O garoto, John, a observou calado.Não sabia o que dizer, não queria mentir e o olhar dela o machucava apesar de tudo.Mas agora a garota de seus sonhos estava ali.Ele nunca havia mentido para ela, para nenhuma das duas.Sempre fora clara sua escolha: sempre seria a garotinha boba que havia feito toda aquela loucura por ele.
- Ela, é ela.Você sabe a quem me refiro...
Novamente o olhar frio da garota caiu sobre ela.
Chegou a sentir um arrepio percorrer sua espinha pela forma com que era olhada,impossivel não perceber a repugnância com que era olhada.
- Eu te odeio, John. Você não podia.
E lágrimas.Lágrimas que falavam por ela.
Ele, naquele momento,sentiu desprezo por si próprio.Se ela ao menos o batesse, o xingasse...mas não, somente um choro e as costas dadas.Aquilo doía mais do que qualquer tapa que pudesse receber.
[...]
A garota sempre soube dos rolos de John, e isso sempre a machucara.Mas ela estava ali agora e não dava para brigar por aquilo.Em poucas horas ela iria embora e queria aproveitar ao máximo o tempo que tinha perto dele.Também não podia culpá-lo: eles nunca assumiram nada, e o garoto era jovem,queria curtir sua vida e não havia nada de errado nisso.
John a fixava, ainda chateado, pelo o que acontecera a poucos minutos atrás enquanto caminhavam de mãos dadas pelas ruas.O silêncio falava por ambos.Já haviam conversado tanto que não precisavam mais de palavras: apenas do toque, apenas daquele simples gestos de unir as mãos.
- Não vai falar nada Elle?
- Está tudo bem John, só estou digerindo o que aconteceu lá atrás...
Elle vio o olhar piedoso de John e sentiu um pouco de remorso por ser fria daquela maneira.Ele estava mesmo arrependido, ela não precisava piorar a situação dele, não queria isso.
- John,podemos toma sorvete?
Tomar sorvete.Era esse o desejo dela? Deixou-se rir.Era essa mesma a garota meio criança, meio moleca e meio mulher que ele esperava.A voz mais bonita que ele já havia escutado, ainda mais fazendo um pedido.
- Claro amor.
- Você me chamou de amor?
- Sim chamei, e é melhor se acostumar.De agora em diante, somente assim eu vou chamá-la.
[...]
Assim passaram o melhor dia das suas vidas,a loucura da garota proporcionara o tão sonhado happy end de ambos.Sorvetes, brincadeiras, sorrisos, algumas pequenas brigas para não perder o costume,beijos sem fim que sempre os deixavam os aquela sensação única: ser amado.As mãos já não podiam ser separas porque cada espaço entre os dedos era um pedaço do outros que faltava em si.As vezes apenas se olhavam, bobos, felizes, confusos em distinguir realidade e sonho.Não olhavam as horas,quando o momento da separação chegassem eles sentiriam.
[...]
- Elle, quero que use isso.
Um pulseira, não dessas que se tira e põe quando deseja,era amarrada ao pulso.Preta e roxa a dela, preta e vermelha a dele.O nome dele na dela, o dela na dele.
- São lindas John!
- Eu pensei em tudo para te lembrar desse dia, um colar, um anel,até outro presente...mas gostei da ideia das pulseiras.Queria que elas fossem nossas alianças.
- Alianças?
- Não exatamente de compromisso, mas de amor.Prometa para mim que vai usá-la e nunca, jamais ira cortá-la, e quando nos vermos novamente não importa quando, você ainda usará ela.E todos os dias ao acordar e olhar para seu pulso, vai se lembrar de mim e de hoje.Vai se lembrar que mesmo longe eu estou incondicionalmente ao seu lado todo o tempo, e o quanto eu te amo.Não posso te jurar amor eterno, sempre dissemos isso lembra? Mas posso te jurar meu companheirismo, minha amizade, minha força , minha proteção...e se tudo isso não bastar, se precisar de algo a mais, se seu amor por mim se esgotar ou encontrar alguém melhor que eu, me dirá.Não contestarei sua decisão.Então nos encontraremos e eu,somente eu, cortarei esse laço existente entre nós.Quanto a mim, farei o mesmo todos os dias.Você me promete meu amor?
- Sim, eu prometo.
- Eu te amo, minha menininha.
[...]
Um ultimo abraço.Um ultimo beijo.Um ultimo toque.
Agora ela entrava naquele mesmo ônibus que a trouxera e se despedia da pessoa que mais amava.
Apesar disso, não partia triste, mas feliz.Sua loucura ao fim havia sido a melhor coisa que já fizera na vida,mas assim disso, ia embora levando um pedaço dele naquela pulseira que ela jamais tiraria de seu braço.
Pela janela o ultimo aceno dele e logo a estrada passava rápida pelo vidro.
Um sorriso que não saia de seu rosto.Na boca apenas uma palavra:
- Prometo.

Iza Costa

O Jogo Part. 2

Pela primeira vez em muito tempo ele passou o resto da noite sozinho.Ainda encostado no balcão do bar, ainda meio bebado, e ainda com aquela garota com quem tivera uma breve conversa.Tentava arrumar algum motivo para ela ter tratado ele daquela maneira,afinal, era ELE não é?E ele não costumava levar foras.
A explicação era obvia: ela tinha namorado.Perai, não tinha não, nada de aliança no dedo! Uma explicação a menos.Ou então ela não gosta de homens...não, ela não parecia ser assim.Ou - pensou ele por ultimo - ela simplesmente não gostou de mim! Não pode ser...
[...]
Passaram-se três dias e o pensamento dele ainda estava nela,principalmente ao lembrar do seu sorriso travesso.Ele nunca havia reparado tanto no sorriso de uma garota,nem visto algum tão belo quando o dela.
Seus amigos haviam percebido mudanças.Ele estava mais calado, e não queria sair a noite. "Não estou afim hoje" foi sua resposta para o mesmo convite depois de quatro dias.Tinha algo errado, sair com os amigos era o que ele mais amava fazer, pelo menos até aquele sábado a noite.
[...]
Uma semana depois ele estava na mesma danceteria, e pra ser mais exata, no mesmo balcão.Esperava alguém com quem não possuia compromisso ou hora marcada, mas esperava feliz.Olhava para os lados, a procura de alguém que vira somente uma vez, somente alguns minutos e mesmo assim guardara seu rosto para a eternidade.
Lá estava ela na pista,dançando como se não tivesse mas ninguém ali.Só ela e a música.
Então ela o vio.Sim, com certeza era o bonitão meio bebado da semana passada.Saiu da pista e foi ao seu encontro.
- Está me seguindo é?
- E se estiver?
- Então é melhor ter boas respostas hoje.
Alguns olhares, e um sorriso por parte dele.
- Sim , eu tenho.Então me diga, qual seu nome?
- Não achou na lista?
- Sim, achei. Mas só o sobrenome, é 'Perfeição' né?
- Uau, essa foi a pior cantada que já recebi. - respondeu divertida pela resposta.
- Quer dançar?
- Me de um bom motivo.
- Você é a mais bonita da pista, não precisa de mim.Mas eu queria te dar um motivo a mais para brilhar.
- Vem bonitão.
Dançaram , e conversaram sem usar muitas palavras, apenas as necessárias.A sintonia deles parecia tão perfeita que mal precisavam mexer seus lábios para diálogarem.
Ele não sabia o que era aquilo tudo, mas gostava.
Quando deixaram a pista, mal se aguentavam em pé de cansaço.Se encostaram então naquele tão conhecido balcão e pediram dois Ice's.Pela primeira vez conversaram, e conversaram.No pensamento dele, ela era incrivel.No dela, ele era um bobo, mas adorável.
- Ei cara, vai ficar a noite toda com essa daí? Está esquecendo do nosso Jogo?
O que ele pretendia dizendo aquilo? Falar perto da garota sobre O Jogo.
- Depois a gente se fala cara.
- Está bem. Mas quando quiser tem uma loirinha ali gamada na sua falow? Até depois.
Silêncio.
O Jogo. Do que eles estavam falando? Que jogo era esse? Como assim 'vai ficar a noite toda com essa aí'? Quem ele pensava que era para se referir a ela daquela maneira?
- De que jogo ele estava falando?
- Nada.É uma bobeira nossa...ignore ele.
- Não, você está mentindo.Não sou idiota.
Suspirou.
- Não, não é.Está bem, vou lhe contar...
Contou.Contou tudo que significada o jogo, contou como não conseguia esquecer ela desde o sábado passado e como queria deixar aquele jogo.Como não gostava mais daquilo.Como queria alguém para quem ligar todos os dias, e estar lá por ela, e ter ela lá para ele, queria comprar ursos de pelucia no dia dos namorados e dar presentes, e receber; queria tirar fotos, ter lembranças a mais do que essas, queria um lugar seguro.
Ela o ouviu, prestando atenção - ou tentando - e querendo acreditar naquilo, mas não podia.Simplesmente impossivel.
- Vamos esquecer isso por hoje. - disse por fim ela mudando de assunto.
Assim a noite passou, e eles continuaram juntos.Bebendo, conversando, contando histórias.Em alguns minutos pareciam se conhecer a anos, amigos de infancia.Amigos que certamente passariam disso, e namorariam.Quem sabe, casariam.Era assim que ele pensava no momento, assim que ele deixava sua mente ser povoada por ideias que nunca haviam lhe ocorrido: assim que ele planejava sair do jogo.
Ela ainda pensava nessa história, no que ele dizia.Seria verdade? Por mais que tentasse a duvida permanecia ali, martelava em sua cabeça já cansada de raciocinar sobre o assunto. Então desistiu.Deixou-se levar por aquele estranho bom-lobo-mau que estava em sua frente e parecia totalmente inofensivo.
- Vamos eu te levo pra casa.
Quase não restava ninguém alí.Somente aqueles que não dormiam, bebados e alguns junkies.Era hora de ir.
Ao chegarem no carro ele abriu a porta para ela, coisa que não costumava fazer para ninguém, gentileza nunca fora um de seus dons.
- Vamos!
- Não.
- Como assim? Eu disse que vou te levar para casa...
- Não, quero dizer que é Fim de Jogo para Você.

Continua...

Iza Costa

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O Jogo.

E ele nunca se apegava.
Não, nunca.Para ele apegar era sinônimo de prisão, e ele gostava da sua liberdade.Cada dia da semana com uma...talvez pareça exagero, mas não é.Ele possuia charme e beleza o bastante para isso, se não, lábia.Ah sim, lábia ele tinha de monte.Já partira muitos corações dessa maneira, usando, brincando, abusando das palavras e dos sentimentos que nunca sentira.Enganava sem dó nem piedade, desde garotinhas até mulheres: ele definitivamente sabia jogar.
Era assim que ele e seus amigos falavam disso tudo. "O Jogo" .As regras eram simples: 'pegue' o máximo de mulheres e depois descarte; em hipótese alguma se apaixone ou você estaria fora, você perderia.

Era só outra balada.
Mais música, bebidas e garotas.
Já se somavam 4 garotas naquela noite até o momento."É só o começo" ele dizia para si e para os amigos.Aliás, ele dizia claramente mais para os amigos isso, pois sabia dentro de si que aquilo tudo já não importava tanto.
- Vou pegar outra bebida.
Andava como o dono da festa, chamava toda atenção das garotas por perto mas estava tão acostumado que já não ligava.Mas dessa vez algo diferente aconteceu, uma garota ali não olhava para ele,nem para ninguém.No seu egoista e infantil modo de pensar, todas deveriam olhar para ele, mas ele se divertiu com isso. "Sempre é bom um pequeno desafio..."
Naquele momento ele deu inicio a nova partida do jogo.
- Ei, quer uma bebida? Eu pago. - Disse ele sorrindo.
Ela o encarou curiosa.Ele percebeu que ela era realmente bonita.Não dessas belezas deslumbrantes de atrizes americanas, era só bonita.Usava uma calça jeans meio apertada,sandálias de salto alto que quase a deixavam mais alta que ele, uma blusa preta com um decote em V, olhos castanhso e cabelos também pretos.Um corpo atraente.Ao todo, bonita.
- Não , obrigada. - respondeu a garota virando o rosto e levando uma garrafa de cerveja a boca despreocupada com aquele cara que agora a encarava sem resposta.
Havia muito tempo desde o ultimo 'não' que ele havia escutado e particularmente, não lidava bem com rejeições.Tentou pensar em algo o mais rápido que pode, mas nada vinha a sua mente.'Maldita vodka...' pensou ele já desistindo de encontrar algo útil em sua cabeça e se deixou sorrir encostando no balcão com aquele pensamento.
Ela o fitou novamente.
- Você é o primeiro cara que conheço que ao levar um fora sorri.
- Não estou rindo do não, só de não ter encontrado uma resposta para ele.
Naquele momento ela chegou a sentir um pouco de simpátia por aquele rapaz levemente bebado e com ar de superior que ridiculamente tentava lhe xavecar.
- Então você não está acostumado a levar foras?
- Não, não estou.
- Humildade também não é seu forte pelo visto...
Ele sorriu. Ela tinha razão, humildade não era uma de suas qualidades, mas também,por que seria quando ele tinha tanto para se vangloriar?
- Não , também a resposta para essa é não...
'Que idiota' foi o que ela pensou.Mas não um idiota pelo lado negativo, idiota pelo lado charmoso da coisa...ele não podia ser tão ruim quanto parecia.Ele era até charmoso, pensou ela.Na verdade, ele era simplesmente lindo, só não era o tipo dela.Voltou seu olhar para a festa de novo.
- Não vai me dizer seu nome? - perguntou ele receioso de levar outro fora.
- Está na lista garoto, procura lá.Aliás, seu ziper está aberto gatão.
Disse isso e deu uma leve piscada para ele.E saiu de perto, sorrindo.Ele,apesar do que acabara de acontecer ali, meio constrangido, meio patético, também sorria.
"Quem é essa garota..."

Continua...

Iza Costa

sábado, 24 de abril de 2010

Destino part 2

Saiu sem medo do ônibus, pisando firme naquela cidade de que nada sabia.O medo era tão insignificante perto do sentimento que a levara até ali, que ela o ignorava.
Com o endereço na mão,andou,perguntou,esperou,outro ônibus, e chegou.
Era uma escola grande de faixada verde e amarela,talvez pela proximidade com a copa,pensou.Mas logo a ideia do que estava por trás daqueles portões a fez congelar.Atrás daqueles portões meio enferrujados estava ele.O motivo daquela insensatez toda.Sentiu seu estômago revirar e agradeceu por ainda faltar duas horas para que ele saisse de lá.
Olhou para os lados, algumas lojas ainda fechadas,outras começando a abrir,um açougue e do lado uma padaria.Foi até lá, pediu um café.Era disso que ela precisava, um café forte pra manter-se acordada,ter garantia que não estava sonhando.Perguntou a balconista onde ficava o banheiro e gentilmente ela lhe apontou uma porta no fim do corredor a esquerda. Se olhou no espelho.Possuia uma pequena olheira, mas no geral, estava apresentavel.Soltou o cabelo,retocou a maquiagem, tirou o casaco de frio e deixou a mostra a blusa antes escondida onde se lia a palavra Metallica.
Voltou a porta do colégio.
Ainda faltava uma hora e meia de espera, faltava meia carga do MP3 e faltava também a certeza de que estava fazendo a coisa certa.
Sentou-se encostada do muro,colocou os fones nos ouvidos e começou a ouvir qualquer coisa sem prestar atenção torcendo para que o tempo passasse rápido.
[...]
No portão enferrujado apareceu um homem baixo, meio careca e com um chaveiro na mão.Ela deu um salto rápido e ficou de pé.Atravessou a rua e ficou não muito longe,apoiou-se em um carro e esperou que as pessoas saissem, esperou ele sair.
Primeiro passaram pelo portão algumas crianças que não deveriam ter mais do que 13 anos,claramente felizes pela aula ter acabado.Depois começaram a sair os 'maiores'. Um calafrio percorreu sua espinha inteira,e ela sentiu que todos os morcegos do mundo estavam em seu estômago naquele momento.Então ela vio um grupinho de adolescentes, dois garotos tinham skates nas mãos, três garotas não muito bonitas, um outro garoto que parecia meio perdido na conversa e finalmente: ele.
Sim era ele.O mais alto do grupo,cabelos pretos razoavelmente compridos cobertos por um boné preto,um jeito de andar confiante e um sorriso lindo, o mais lindo que ela já havia visto.
Não deixou de notar que não era a unica a prestar atenção naquele garoto, algumas garotas ali perto também o fazia sem a menor descrição.
Mas logo voltou sua atenção à ele.Só para ele.Ela mal piscava, e por vezes jurou ter parado de respirar sem perceber.Ele continuava lá, com seus amigos.Não tinha ideia de que ela estava ali, esperando.
Então ela reparou que o garoto mais quieto do grupo estava apontando para ela, talvez ele tivesse percebido como ela encarava o outro garoto.Abaixou a cabeça sem graça,mas logo a ergueu novamente e vio, vio ele olhando pra ela.Teve então a sensação mais estranha de sua vida: um misto de medo e felicidade.Pensou em desviar o olhar, mas não conseguiu, ele estava preso ao dele.
"Ah não, ele está vindo..."
Sim, ele andava em direção a ela naquele momento,com um olhar curioso, claramente duvidando que era ela a garota que ele conversava tanto.Ela pensou que iria desmoronar ao sentir seus joelhos amolecerem.Ele andava firme.Ela estava séria. Ele possuia um sorriso meio bobo em seus lábios.
[...]
Um palmo no máximo era o que havia entre eles agora.Ela o olhava boba, ele perplexo.Ambos quietos, não sabiam o que dizer, nem como agir, não sabiam nem o que estavam fazendo ali,estáticos.
"Eu sei que é ela, eu sei..." ele pensou.
"Ah ele não gostou de mim, eu sabia, droga, sua idiota o que você veio fazer aqui?"
Se olhavam fixamente ali, querendo entender o que estava acontecendo ou o que o outro pensava.Decepção? Medo? O que estava em volta deles naquele momento?
Um suspiro: era ela, abaixando a cabeça.Desistira de tentar ler os pensamentos dele,já havia chegado a sua conclusão: não devia estar ali!
Não se sabe como, mas desconfio que ao respirar aquele mesmo ar ele entendeu o arrependimento que a abatera.Levantou seu braço direito, meio sem graça,e o levou ao queixo dela fazendo com que ela o encarasse novamente.E sorriu.O sorriso mais sincera e feliz que alguém poderia dar apesar da timidez.Ela sorriu em resposta.
Agora , era obvio que eles se entendiam por aquele olhar.Era isso que os ligara por tanto tempo: a compreensão.Essa mania de entender o outro sem muitas palavras, mas nas pequenas coisas.Essa conexão.
- Você está doida? O que está fazendo aqui?
- Vim te ver.Queria estar do seu lado hoje.
E um abraço.Um longo abraço.
Ela sentiu o cheiro dele: sim, era o melhor do mundo, assim como seu sorriso,seu olhar...e ela desejou desesperadamente que o tempo parasse naquele abraço.Não para sempre, mas tempo o suficiente que permitisse a ela a lembrança detalhada eterna daquele momento.
- Sua boba, você sempre esteve ao meu lado!
Foi a unica coisa que ela entendeu ainda atordoada pelo seu cheiro.Ainda querendo saber se aquilo era real ou outro de seus sonhos.
Fim do abraço.
As mãos entrelaçadas,os corpos pertos demais.
- Você sabe o porque. - disse meio envergonhada.
Ele ficou sério, sim, ele sabia o porque.Assim como sabia o porque de ela estar vermelha, e estar bonita para ele.Assim como sabia também que um dia, aquilo aconteceria.Porque ele esperava aquilo também.
- sabe, eu esperei por isso também...
- E ? Se decepcionou?
O medo de repende a invadiu.Sim, ele havia se decepcionado, ela sabia que sim...
- Não.
- Então o que?
- Sua presença é mais forte agora, mas eu sempre senti ela.Não perto, mas dentro.Dentro desse coração que só queria te ver.
Ela sorriu,feliz com a resposta.
- Mas, falta algo...-completou ele.
- O que? Sabia, não sou tão bonit...
Tarde demais.Os lábios já estavam colados.
Ela não precisava de outra resposta além daquela.

Continua...

Iza Costa