É isso que vai acontecer não é? Ele vai continuar me tratando docemente, me comprimentando com a sua mão no meu rosto e um beijo gentil e fazendo cara de criança perdida, pedindo minha opinião nas pequenas coisas e dando aquele sorriso lindo. Eu vou continuar me apaixonando toda vez que ver ele e tendo meu coração partido em pedaços logo após.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
domingo, 22 de agosto de 2010
Onde está o amor?
Vai dar Namoro, Romance no Escuro, Quem quer namorar fulano de tal. Tantos programas onde alguns desavizados vão para encontrar um amor. Sim, todos desavizados. Ninguém lhes disse que é mais fácil encontrar o seu amor na filha do dentista ou do hospital, tropeçando na rua ou pedindo cola na escola, do que em um programa desses.
Até o amor virou atração comercial. E as pessoas ainda caem nessa de que, quem está lá, quer mesmo alguém para amar. Se fosse assim, eles escolheriam mais pela inteligência ou gostos e hobbyes que pelos musculos e profissão. Amor não tem essa.
"Ele mora longe", "não faz meu tipo". Claro, você nem conhece ele ou ela. Como vai fazer? Você não se apaixona assim, na hora. Paixão é conquista, é o dia-a-dia de duas pessoas que aprendem a não viver plenamente sem a outra.
Quantos relacionamentos que começaram em programas duraram? Poucos, raros, talvez nenhum. Não dá pra ser você mesmo em frente à uma câmera. Não dá pra ser tudo o que você é com alguém que você conhece a 3 minutos.
Além do mais, amor não se procura. Não é como por um anúncio no portão escrito "Há Vagas". Amor é aquela coisa que você só acha quando não procura. E quanto mais procura, mais passa longe. Ele te pega um dia enquanto tu caminhas na rua distraidamente e da um esbarrão em alguém, e pronto: talvez seja amor. E isso não vai acontecer na tv. Não vai ter a troca de olhares, não vai ter o descompromisso de rolar ou não, de gostar ou não, porque se você está lá, ah, não pode sair de mãos abanando.
É ainda pior: a maioria que vai nesses programas é jovem. Então um desses apresentadores apresenta eles e diz 'fulado de tal tem 19 anos', e me da aquela vontade de dizer 'Hey cara, você tem a vida toda para achar um amor. Você tem é que sair, andar, entra até no bate papo da uol, mas sai dessa de ir aparecer na tv como um desesperado por atenção.' E ninguém percebe.
Iza Costa
segunda-feira, 12 de julho de 2010
O que? Dizer que não vivo sem você? Não, com certeza não. Eu, que não sou mais a menina que sonha com o príncipe encantado, já me acostumei com o fim do conto de fadas. Junto disso, descobri que amores não duram para sempre. E que também não dependemos de outros para viver. Esse é o bom da vida, a maior parte dela é só nós e nós. Então para que vou me jogar a seus pés quando o que você quer mesmo é ir?
Vá então. Leva contigo o meu adeus e o mais sincero me esqueça. Não vale a pena dizer palavras por desespero. As vezes, quando temos muito medo de perder algo com que nos importamos, acabamos agindo por impulso e dizendo asneiras. Pois bem, não farei isso. Muito menos farei outra cena que te induza a permanecer por perto.
Quando gostamos mesmo de alguém, não afastamos a pessoa. Ao contrário. Nos machucamos e continuamos sempre a insistir. Insistir para que as coisas deem certo. Insistir para ficar ao lado dela.
Quando a pessoa começa a criar motivos de briga e discordia, é porque ela quer partir e ponto. Não se briga a toa, não se faz mal a outro a toa.
Vá então. Leva contigo o meu adeus e o mais sincero me esqueça. Não vale a pena dizer palavras por desespero. As vezes, quando temos muito medo de perder algo com que nos importamos, acabamos agindo por impulso e dizendo asneiras. Pois bem, não farei isso. Muito menos farei outra cena que te induza a permanecer por perto.
Quando gostamos mesmo de alguém, não afastamos a pessoa. Ao contrário. Nos machucamos e continuamos sempre a insistir. Insistir para que as coisas deem certo. Insistir para ficar ao lado dela.
Quando a pessoa começa a criar motivos de briga e discordia, é porque ela quer partir e ponto. Não se briga a toa, não se faz mal a outro a toa.
Se não é partir, é crueldade. Então que vá.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Amizade (?)
Quem nunca gostou de um amigo que atire a primeira pedra.
Acho que as mais bonitas histórias começam assim; da amizade. E é involuntário. Simplesmente, sem planejar ou desejar, você se ve apaixonado. Não dá pra escapar, o sentimento toma posse de você.
Quando você se da conta, o sorriso da pessoa te faz mais bem que qualquer coisa. O impulso de beija-la se torna tão forte que é quase impossivel controlar. Os carinhos, beijos e abraços passam a ser mais intensos, melhores, perfeitos. Você quer ficar com ela todo o tempo. Você quer a atenção dela, você quer ela. Não é apenas o querer ficar, é o querer proteger, dar carinho, ser tudo que ela precisa e mais um pouco. Você passa a ver nela qualidades antes nunca percebidas: como ela é bonita, e seu cheiro doce, seu rosto perfeito, sua voz macia. Tudo passa a ser atrativel. Até seus defeitos se tornam pequenos perto de todo o resto.
Pele, carinho, atenção.
Só sei que isso não é só amizade. O que é exatamente, eu não sei.
'Eu mantive isso aqui dentro por muito, muito tempo e eu não posso continuar guardando todo esse amor que está dentro do meu coração. Talvez seja mais seguro não dizer que eu me importo. Talvez essa estrada não me conduzirá a lugar algum mas...Se eu não te disser agora talvez eu nunca tenha essa chance novamente de lhe dizer que eu preciso de você de lhe dizer o que estou sentindo. Se eu guardar esses sentimentos e se eu não disser as palavras como você escutará o que está dentro do meu coração?
Como você saberá isso? Eu daria qualquer coisa pra estar em seus sonhos.E eu não posso agüentar essa situação. Com esse sonho dentro do meu coração. Talvez eu vá apenas cometer um erro e existe uma chance, talvez meu coração vá se machucar, mas...Como você saberá que está dentro de minha alma? Oh, isso está me deixando maluco pois você não vê.Você é a única pra mim.' ♪ ( If I Don't Tell You Now - Ronan Keating )
Acho que as mais bonitas histórias começam assim; da amizade. E é involuntário. Simplesmente, sem planejar ou desejar, você se ve apaixonado. Não dá pra escapar, o sentimento toma posse de você.
Quando você se da conta, o sorriso da pessoa te faz mais bem que qualquer coisa. O impulso de beija-la se torna tão forte que é quase impossivel controlar. Os carinhos, beijos e abraços passam a ser mais intensos, melhores, perfeitos. Você quer ficar com ela todo o tempo. Você quer a atenção dela, você quer ela. Não é apenas o querer ficar, é o querer proteger, dar carinho, ser tudo que ela precisa e mais um pouco. Você passa a ver nela qualidades antes nunca percebidas: como ela é bonita, e seu cheiro doce, seu rosto perfeito, sua voz macia. Tudo passa a ser atrativel. Até seus defeitos se tornam pequenos perto de todo o resto.
Pele, carinho, atenção.
Só sei que isso não é só amizade. O que é exatamente, eu não sei.
'Eu mantive isso aqui dentro por muito, muito tempo e eu não posso continuar guardando todo esse amor que está dentro do meu coração. Talvez seja mais seguro não dizer que eu me importo. Talvez essa estrada não me conduzirá a lugar algum mas...Se eu não te disser agora talvez eu nunca tenha essa chance novamente de lhe dizer que eu preciso de você de lhe dizer o que estou sentindo. Se eu guardar esses sentimentos e se eu não disser as palavras como você escutará o que está dentro do meu coração?
Como você saberá isso? Eu daria qualquer coisa pra estar em seus sonhos.E eu não posso agüentar essa situação. Com esse sonho dentro do meu coração. Talvez eu vá apenas cometer um erro e existe uma chance, talvez meu coração vá se machucar, mas...Como você saberá que está dentro de minha alma? Oh, isso está me deixando maluco pois você não vê.Você é a única pra mim.' ♪ ( If I Don't Tell You Now - Ronan Keating )
Iza Costa
terça-feira, 1 de junho de 2010
Desisto
Desisto de tentar manter a paz entre nós, pois sei que ela nunca virá. Desisto de tentar te falar e mostrar, a todo momento, o que quero e preciso e você não entender. Desisto de competir por sua atenção. Desisto de ouvir você falando de suas aventuras amorasas e fingir estar tudo bem. Como consegues ser tão cruel assim? Desisto de correr atrás. Desisto de tentar te dar todo meu carinho, apesar de ser o unico a quem eu queira da-lo. Renego nossa amizade. Fujo. Corro de tudo que me lembre ou aproxime de você. Desisto, após tantas brigas, tantas palavras de ódio sem sentido, sem razão. Palavras que não deviam ter sido pronunciadas, palavras sem real verdade. Desisto de tentar me fazer presente mesmo com a enorme distância que nos separar e também de aceitar esse seu jeito insolente de me tratar.
Será que só quando as coisas vão mal você me da valor?
Não dá pra viver assim. Haja lágrimas para cairem todas as noites, haja tempo e falta de orgulho para te seguir. Haja solidariedade para te dividir.
Desisto de fazer tudo por você e mal receber um obrigado. Desisto de ouvir tantas palavras de carinho e tão poucos gestos. Desisto de ser a última opção. Desisto de esperar você notar que estou aqui, de coração aberto esperando você querer para mover montanhas e céus por nós.Assim como desisto de perder noites de sono, ganhar pesadelos e perder a cabeça.
Desisto de me importar se seu dia foi bom e como andam as coisas, e de perguntar sempre como você está. Desisto de te ensinar a ser alguém melhor.
Depois de tudo isso, eu só tenho que dizer: muito obrigada por tudo, mas chega.Eu desisto de você.
Será que só quando as coisas vão mal você me da valor?
Não dá pra viver assim. Haja lágrimas para cairem todas as noites, haja tempo e falta de orgulho para te seguir. Haja solidariedade para te dividir.
Desisto de fazer tudo por você e mal receber um obrigado. Desisto de ouvir tantas palavras de carinho e tão poucos gestos. Desisto de ser a última opção. Desisto de esperar você notar que estou aqui, de coração aberto esperando você querer para mover montanhas e céus por nós.Assim como desisto de perder noites de sono, ganhar pesadelos e perder a cabeça.
Desisto de me importar se seu dia foi bom e como andam as coisas, e de perguntar sempre como você está. Desisto de te ensinar a ser alguém melhor.
Depois de tudo isso, eu só tenho que dizer: muito obrigada por tudo, mas chega.Eu desisto de você.
Away
Então, alguns dias atrás, eu parei para observar minha vida e percebi que estava tudo muito errado. As pessoasm outrora inseparaveis e insubstituiveis, haviam sumido. Aliás, muitas pessoas haviam sumido. Muitas decisões, algumas de extrema importância, batiam na minha porta insistentemente e eu não sabia o que fazer. Ir ou ficar. Aceitar o presente, esquecer o passado, ignorar as pessoas e acontecimentos ao redor. Não foi fácil.
Não era dor, não era medo, era só a ausência de todo e qualquer sentimentos. A angustia de não saber como seguir.
Aí, já sem muitas boas alternativas, eu decidi recorrer ao passado; voltar a costumes. E se algo bom pudesse acontecer novamente? Se eu, com meu medo de levantar e seguir, decidisse apenas retornar pela estrada que já conhecia? A ideia, confesso, foi péssima. Não só a parte ruim da mesma história aconteceu, como também, foi catastrófico todo o resto.
Sem passado, perdida no presente e sem saber sobre o futuro.
Por ultimo, agora em total desespero, minha melhor resposta foi apenas deixar certas coisas acontecerem. Evitar os maus, acolher os bons. Não ser muito feliz para não atrair a tristeza, não ser muito triste para não afastar as pessoas. Ser eu mesma não sendo, pois, ainda não sei muito bem quem sou.
As coisas estão mudando, e isso da medo. Mas tudo tem que mudar. Não se sabe o que virá depois de algumas mudanças para pior, afinal, há males que vem para bem.
Ficar me chatiando a toa, ou brigando, ou me estressando é algo que saiu dos meus planos. Estresse causa rugas, e pretendo chegar aos sessenta sem nenhuma. Amém.
Não era dor, não era medo, era só a ausência de todo e qualquer sentimentos. A angustia de não saber como seguir.
Aí, já sem muitas boas alternativas, eu decidi recorrer ao passado; voltar a costumes. E se algo bom pudesse acontecer novamente? Se eu, com meu medo de levantar e seguir, decidisse apenas retornar pela estrada que já conhecia? A ideia, confesso, foi péssima. Não só a parte ruim da mesma história aconteceu, como também, foi catastrófico todo o resto.
Sem passado, perdida no presente e sem saber sobre o futuro.
Por ultimo, agora em total desespero, minha melhor resposta foi apenas deixar certas coisas acontecerem. Evitar os maus, acolher os bons. Não ser muito feliz para não atrair a tristeza, não ser muito triste para não afastar as pessoas. Ser eu mesma não sendo, pois, ainda não sei muito bem quem sou.
As coisas estão mudando, e isso da medo. Mas tudo tem que mudar. Não se sabe o que virá depois de algumas mudanças para pior, afinal, há males que vem para bem.
Ficar me chatiando a toa, ou brigando, ou me estressando é algo que saiu dos meus planos. Estresse causa rugas, e pretendo chegar aos sessenta sem nenhuma. Amém.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Mas é claro que o sol vai voltar.
Talvez o melhor fosse esquecer.
Então ela pegou sua bolsa e colocou algumas coisas dentro,algum dinheiro no bolso e os fones no ouvido e saiu pela cidade.Não sabia pra onde ía, somente andava.Despreocupada.
Olhava o céu levemente escuro e tentava não pensar em nada; nada que fosse ruim; nada que a deixasse triste; mas só por tentar não pensar, acabava pensando.
Chutava as pedras da rua destraidamente, talvez fosse seu inconsciente que realmente queria chutar algo; por aquela raiva pra fora, a aflição.As coisas não davam certo nunca, será que um dia tudo se acertaria? Será que a sorte viria ao seu encontro? Ela nada podia fazer mais, apenas continuar andando sem rumo, sem destino, acompanhada somente pela música.
Mas a música não ajudava.Naquele momento parecia que todas aquelas canções em seu MP3 eram feitas para ela.Exceto pelo final, nas músicas, ele era feliz.
Como o final dela podia ser feliz? Estava sozinha, o dia estava frio e todos os carros ou pessoas que passavam sequer a novatam ali; triste.
Não importava o quando ela fizesse, tentasse, lutasse ou amasse; o valor que ela esperava não vinha.Ninguém se importava com as tentativas,fracassos e tombos que ela levava para tentar ser melhor; ninguém retribuia aquele sentimento intenso se querer ser melhor, ver os outros felizes e ser feliz que explodia em seu peito.
Ninguém a entendia.
Por mais que ela explicasse ou ao menos tentasse, dissesse e gritasse; berrasse e esperneasse; ainda continuavam sem entender. Entender que tanto choro era mais que simples carência; era necessitade de ser notada! Necessitade de se sentir indispensável, de saber que alguém a esperava, a compreendia; saber que alguém sempre estaria ali.
Já era noite e ela não sabia bem aonde estava, mas não importava.
A rua era grande e bem iluminada, não havia perigo ali.Na direita um supermercado e em sua frente estacionado, um carro com um casal de velhinhos entrando; ela sorriu. Era bonito ver aquela cena,mesmo com os tantos anos juntos que deviam possuir, ele ainda abria a porta do carro para ela e lhe dava a mão de apoio para que a Senhora entrasse.
Por alguns segundos ela desejou ser aquela idosa, saber o que ela sentia.O que era ser realmente amada.
O pensamento passou rápido e a garota continuou a andar.Mais a frente havia um barzinho com alguns universitários.Decidiu então entrar e se sentou ao galpão.A sua direita, em três mesas juntas, uma turma sorria e conversava feliz.Pareciam amigos de vários anos, talvez, amigos de infância.Alegres, risonhos, despreocupados.
A bateria do seu MP3 estava quase acabando e ela ainda tinha que voltar para casa.Tomou um refrigerante e saiu, agora possuindo um rumo,ainda que indesejado.
Dessa vez não tentou esquecer seus pensamentos, ao contrário, forçava-se a lembrar seus erros e acertos, a examinar os motivos que a levaram caminhar sozinha pela noite escura.
Se sentia estranha.
Parecia que seu interior estava vazio, e não era fome. Era uma angustia que a deixava mal, mas mesmo assim, ela não se deixava abater.
Talvez ela estivesse errada mesmo, exigindo demais das pessoas.Mais do que elas podiam lhe dar.Talvez ela também fosse muito possessiva, e nervosa.Ou ainda, ela fosse anormal.Somente se culpar não era certo, e também, nada adiantaria.Tudo continuaria do mesmo modo.
Foi quando ela parou nesse pensamento; e se não mudasse ? Se fosse sempre aquilo?
Coincidência ou destino,não sabia ela qual dos dois, nesse momento começava outra música em seus fones:
'Mas é claro que o sol vai voltar amanhã, mas uma vez eu sei.Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã, espera que o sol já vem.Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar no sonho que se tem, ou que seus planos nunca vão dar certo, ou que você nunca vai ser alguém.Tem gente que machuca os outros, tem gente que não sabe amar, mas eu sei que um dia a gente aprende.Se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesmo.Quem acredita sempre alcança...'
Era aquele tapa na cara que ela precisava.
O que ela estava fazendo? Deixando os outros decidirem como ela se sentiria? Não, não deixaria isso acontecer. Ela era melhor que aquilo tudo.E de algum modo, ela sabia que o sol realmente voltaria.
A vida dela havia sido assim por muito tempo: noites escuras alternadas com dias ensolarados. Talvez aquele fosse só um pequeno eclipse antes de outro dia de verão; as coisas iriam melhorar.Ela era forte. Forte o bastante para esperar dia após dia que pessoas aparecessem e merecessem tudo o que ela estava disposta a dar, e que também fizessem o mesmo.
Outro estalo lhe passou a cabeça; talvez aqueles velinhos tivessem se conhecido aos cinquenta anos.Talvez aqueles amigos haviam se conhecido na faculdade ou algo do tipo, talvez ela só precisasse de paciência.
Paciência para saber que não se conhece as melhores pessoas quando quer, elas simplesmente aparecem na nossa vida quando paramos de procurar desperadamente. Paciência para cobrar menos, exigir menos, pressionar menos.
O sol voltaria, isso era uma certeza.
Voltou para a casa cantando uma unica música.
Iza Costa
Então ela pegou sua bolsa e colocou algumas coisas dentro,algum dinheiro no bolso e os fones no ouvido e saiu pela cidade.Não sabia pra onde ía, somente andava.Despreocupada.
Olhava o céu levemente escuro e tentava não pensar em nada; nada que fosse ruim; nada que a deixasse triste; mas só por tentar não pensar, acabava pensando.
Chutava as pedras da rua destraidamente, talvez fosse seu inconsciente que realmente queria chutar algo; por aquela raiva pra fora, a aflição.As coisas não davam certo nunca, será que um dia tudo se acertaria? Será que a sorte viria ao seu encontro? Ela nada podia fazer mais, apenas continuar andando sem rumo, sem destino, acompanhada somente pela música.
Mas a música não ajudava.Naquele momento parecia que todas aquelas canções em seu MP3 eram feitas para ela.Exceto pelo final, nas músicas, ele era feliz.
Como o final dela podia ser feliz? Estava sozinha, o dia estava frio e todos os carros ou pessoas que passavam sequer a novatam ali; triste.
Não importava o quando ela fizesse, tentasse, lutasse ou amasse; o valor que ela esperava não vinha.Ninguém se importava com as tentativas,fracassos e tombos que ela levava para tentar ser melhor; ninguém retribuia aquele sentimento intenso se querer ser melhor, ver os outros felizes e ser feliz que explodia em seu peito.
Ninguém a entendia.
Por mais que ela explicasse ou ao menos tentasse, dissesse e gritasse; berrasse e esperneasse; ainda continuavam sem entender. Entender que tanto choro era mais que simples carência; era necessitade de ser notada! Necessitade de se sentir indispensável, de saber que alguém a esperava, a compreendia; saber que alguém sempre estaria ali.
Já era noite e ela não sabia bem aonde estava, mas não importava.
A rua era grande e bem iluminada, não havia perigo ali.Na direita um supermercado e em sua frente estacionado, um carro com um casal de velhinhos entrando; ela sorriu. Era bonito ver aquela cena,mesmo com os tantos anos juntos que deviam possuir, ele ainda abria a porta do carro para ela e lhe dava a mão de apoio para que a Senhora entrasse.
Por alguns segundos ela desejou ser aquela idosa, saber o que ela sentia.O que era ser realmente amada.
O pensamento passou rápido e a garota continuou a andar.Mais a frente havia um barzinho com alguns universitários.Decidiu então entrar e se sentou ao galpão.A sua direita, em três mesas juntas, uma turma sorria e conversava feliz.Pareciam amigos de vários anos, talvez, amigos de infância.Alegres, risonhos, despreocupados.
A bateria do seu MP3 estava quase acabando e ela ainda tinha que voltar para casa.Tomou um refrigerante e saiu, agora possuindo um rumo,ainda que indesejado.
Dessa vez não tentou esquecer seus pensamentos, ao contrário, forçava-se a lembrar seus erros e acertos, a examinar os motivos que a levaram caminhar sozinha pela noite escura.
Se sentia estranha.
Parecia que seu interior estava vazio, e não era fome. Era uma angustia que a deixava mal, mas mesmo assim, ela não se deixava abater.
Talvez ela estivesse errada mesmo, exigindo demais das pessoas.Mais do que elas podiam lhe dar.Talvez ela também fosse muito possessiva, e nervosa.Ou ainda, ela fosse anormal.Somente se culpar não era certo, e também, nada adiantaria.Tudo continuaria do mesmo modo.
Foi quando ela parou nesse pensamento; e se não mudasse ? Se fosse sempre aquilo?
Coincidência ou destino,não sabia ela qual dos dois, nesse momento começava outra música em seus fones:
'Mas é claro que o sol vai voltar amanhã, mas uma vez eu sei.Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã, espera que o sol já vem.Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar no sonho que se tem, ou que seus planos nunca vão dar certo, ou que você nunca vai ser alguém.Tem gente que machuca os outros, tem gente que não sabe amar, mas eu sei que um dia a gente aprende.Se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesmo.Quem acredita sempre alcança...'
Era aquele tapa na cara que ela precisava.
O que ela estava fazendo? Deixando os outros decidirem como ela se sentiria? Não, não deixaria isso acontecer. Ela era melhor que aquilo tudo.E de algum modo, ela sabia que o sol realmente voltaria.
A vida dela havia sido assim por muito tempo: noites escuras alternadas com dias ensolarados. Talvez aquele fosse só um pequeno eclipse antes de outro dia de verão; as coisas iriam melhorar.Ela era forte. Forte o bastante para esperar dia após dia que pessoas aparecessem e merecessem tudo o que ela estava disposta a dar, e que também fizessem o mesmo.
Outro estalo lhe passou a cabeça; talvez aqueles velinhos tivessem se conhecido aos cinquenta anos.Talvez aqueles amigos haviam se conhecido na faculdade ou algo do tipo, talvez ela só precisasse de paciência.
Paciência para saber que não se conhece as melhores pessoas quando quer, elas simplesmente aparecem na nossa vida quando paramos de procurar desperadamente. Paciência para cobrar menos, exigir menos, pressionar menos.
O sol voltaria, isso era uma certeza.
Voltou para a casa cantando uma unica música.
Iza Costa